Agora que eu tinha descoberto a fraqueza deles, sentia-me melhor. Eu podia jogar o jogo e talvez não perder tanto do nosso poder de barganha. Um poder que Daniel havia levado a vida inteira para construir. Era, em grande parte, culpa minha estarmos nessa situação, então achei justo que eu fizesse ao menos um esforço para equilibrar o tabuleiro.
Eu lhe devia isso.
Eu precisava, no mínimo, carregar o meu próprio peso.
Eu sabia, claro, que o tabuleiro jamais estaria realmente nivelado. Não era uma luta justa. Nunca haveria lutas justas. Este não era um mundo em que justiça tivesse qualquer relevância. Nós nunca fomos os mocinhos — Daniel me lembrava disso o tempo todo.
E nós também não lidávamos com mocinhos.
Então eu assumiria o papel de vilã.
Corri para o escritório e chamei Sérgio.
— Sim, Carla?
— Preciso que você volte à faculdade do Diogo. Eles têm um jornal estudantil lá e precisam publicar um artigo para mim.
— Um artigo? Vamos contratar alguém? Eles ficam a duas cidades daqui,