Na manhã seguinte, todo mundo no escritório sabia que eu tinha passado por cima do Sérgio. Eu podia sentir no ar. No jeito que a Sarah não me chamou para almoçar. No jeito que as pessoas ficavam em silêncio quando eu entrava na sala. No jeito que minha lista de tarefas encolheu.
Tentei focar na tela, mas a memória da última reunião se repetia na minha cabeça. A cliente, Jennifer, estava encurralada, precisava de uma saída. Era outra armadilha da qual eu podia tirá-la. Eu achei que poderia consertar as coisas. Mas ultrapassei um limite — e aparentemente limites eram sagrados ali.
Às dez em ponto, Sérgio me chamou. A voz neutra.
— Carla, pode ir à sala do Sr. Tiago?
Peguei meu bloco de notas, embora soubesse que não precisaria. A porta do sócio sênior estava aberta. Sr. Tiago sentado atrás da mesa como um juiz prestes a dar sentença. Sérgio estava perto da janela, braços cruzados.
— Feche a porta, por favor. — disse Tiago.
Fechei.
— Carla, — ele começou — recebemos com preocupação a for