Eu não tinha certeza se era o Daniel do outro lado da linha, ou aquele tal de George, ou alguém completamente diferente — mas desabafei mesmo assim. Gritei no telefone enquanto mantinha o olhar fixo na grande maleta preta no chão do carro.
O que aquela mulher estava fazendo? Qual era do cheiro de água sanitária? O que havia dentro do carrinho de lavanderia que ficou para trás? E, principalmente, o que eu estava carregando?
Gritei, reclamei e chorei em longos áudios no estacionamento do hotel. Aos poucos, o que eu tinha me metido começou a ficar mais claro — e eu não gostei nem um pouco.
Mas não houve resposta. Nenhuma mensagem de volta. Nada.
Quando percebi, já estava dirigindo. Dei uma volta no bairro, depois outra, até me obrigar a voltar para o escritório e estacionar. O volume escuro repousava no assoalho do carro e eu não fazia ideia do que fazer com ele. Não podia simplesmente jogar meu casaco por cima e sentar na mesa como se nada tivesse acontecido.
Às 4h30, saí de novo. Rodei