No dia seguinte, as chaves do sedã azul estavam sobre a mesa — um desafio silencioso. Diogo já estava de pé, preparando café. Um pouco queimado. Mas bebi mesmo assim.
— Vai aceitar o trabalho? — ele perguntou.
— Vou — respondi. — Quer dizer… o churrasco estava bom, não estava?
— Tava… Mas você sabe o que está fazendo?
Respirei fundo. Acho que eu tinha uma ideia aproximada.
— Não se preocupe, filho. Se a coisa ficar estranha, eu caio fora.
— Melhor. Jantar de graça não existe.
— É… jantar de graça não existe.
O ar da manhã estava fresco. O sedã azul pegou na primeira tentativa. O motor soava honesto. Sem ronronar, sem charme — só trabalho. Entrei no trânsito e me senti menor. Mais segura. Invisível. Era essa a ideia, como Daniel dissera sem dizer.
O carro tinha um cheiro bom. Melhor do que o meu antigo, certamente melhor que o ônibus.
A manhã correu tranquila. E-mails, ofícios, assinaturas. Um dos sócios jogou um processo na minha mesa às nove e pediu um milagre até às dez. Entre