— Senhoras e senhores, a mulher do ano! — ele anunciou, em tom de brincadeira, mas segurava uma garrafa de champanhe. Aquele sujeito irritante ainda tinha duas taças altas nas mãos e o maior sorriso que eu já vira.
Passei direto por ele. Sem uma palavra. Sem sequer olhar.
O sorriso dele não se apagou — raramente se apagava. Só quando ameaçava a minha vida.
— Espera, para onde você…? Ahhhh, você está brava. Foi o quê? Ficou com medo? Foi a arma? Eles sempre têm armas… — ele continuava tagarelando.
Acelerei o passo em direção ao ponto de ônibus. Ele, confuso, me seguiu.
— O quê? Vamos beber no ponto de ônibus? Ok, exótico, mas eu topo. Sempre há uma primeira vez, não é?
Mas eu também passei direto pelo ponto e virei a esquina, só parando quando tive certeza de que ninguém conhecido podia nos ver.
— O que você está fazendo aqui, Daniel?
— Comemorando! O negócio deu certo e acho que você merece os créditos! O George me contou tudo! Você foi incrível!
— Quem diabos é George? Sabe de u