Eu estava com medo, é claro. O homem de nome estranho, sotaque carregado e presença ameaçadora tinha todos os traços de um chefe da máfia. Até a arma pendurada no cinto dizia tudo. Mas eu não me encolhi. Eu só estava fazendo o meu trabalho.
Olhei para as folhas espalhadas ao meu redor, tremulando ao vento.Nas proximidades, o mordomo do Daniel encostava-se casualmente ao carro dele, observando-me como quem olha algo que não vale o gastar o couro da sola dos sapatos italianos.
Aquilo era, obviamente, um teste. Daniel estava me testando.
Eu teria que domar aquele urso.
Aquela simples entrega estava se tornando muito mais do que eu havia imaginado. Não valia o carro caríssimo que eu não podia nem usar, para não levantar suspeitas.
— Olenk, certo? — perguntei.
O brutamontes olhou para mim de cima.
— Sim, mocinha, eu sou o Olenk. E diga ao Daniel que…
Levantei a palma da mão diante do rosto dele, com firmeza. Ele se calou.
— Antes de mais nada, meu nome é Carla, e o mínimo que você pode fa