13. O peso das aparências
A temperatura da água divergia do inverno brutal do lado de fora. Quente, espessa, perfumada… como se zombasse da minha lembrança de frio, sujeira e abandono.
O vapor nublava os espelhos e, por um instante, me senti outra.
Ou talvez só mais uma versão quebrada de mim mesma.
Na ilha não havia luxos, não havia encanamento, nem sabonetes cheirosos.
Aquele banho, simples para qualquer outro, me arrancou lágrimas. Não pela água, mas porque eu finalmente aceitei que aquilo era real.
A fuga, a dor,