12. Vapor e presas
A tarde já se curvava em tons dourados quando a porta da cabana se abriu devagar. O cheiro das ervas me atingiu primeiro, forte, amargo, como folhas trituradas com sangue seco, me despertando de mais um sono profundo.
A curandeira entrou silenciosa, envolta em peles claras, o capuz abaixado revelando cabelos grisalhos presos num coque simples.
Ela mal me olhou.
— Trouxe isso para seu tornozelo — disse, depositando uma pequena vasilha em cima da mesa. — E vim avisar que a cabana vai receber alguns patrulheiros esta noite, por algumas horas.
Meu peito apertou.
Parte de mim não queria sair, mas outra parte… precisava respirar outro ar além do da lareira.
Mesmo que esse ar estivesse carregado de olhos julgadores.
— Obrigada… — forcei um sorriso. — Você sempre serve à matilha como curandeira?
Ela parou, virando o rosto em minha direção por breves segundos como se já sacasse minha tentativa de puxar assunto.
— Desde antes do Lorcan nascer — respondeu, seca.
— Tem algum outro lugar onde e