A porta do apartamento antigo abriu com um rangido leve, como se o ar ali dentro carregasse memórias demais para se mover sem fazer barulho.
Clarice estava no sofá, enrolada em um casaco que parecia grande demais para seu corpo agora magro, frágil, quase translúcido.
— Rafa… obrigada por vir.
Eu… eu achei que você não viria.
Ele engoliu seco, a garganta travada.
— Claro que eu viria. — respondeu, baixando a voz. — Me diz o que está acontecendo.
Clarice tentou sorrir, mas o sorriso quebrou no ca