O vento daquela noite soprava com a suavidade de dedos invisíveis percorrendo as paredes antigas da mansão Moretti. Do meu quarto, eu conseguia ouvir o som da água batendo contra a margem da ilha, um ritmo lento, quase hipnótico, que sempre tinha o poder de me acalmar. Mas naquela noite, nenhuma calmaria me alcançava.
Eu andava de um lado para o outro, inquieta, incapaz de entender o turbilhão que se agitava dentro de mim desde o momento em que Lorenzo tocara meu rosto horas antes. Um toque simples… mas que incendiara cada parte do meu corpo como se ele tivesse encostado direto no meu coração.
Eu deveria ter me afastado. Deveria ter dito algo profissional, algo sensato.
Mas não disse.
Eu apenas senti. Senti demais.
Suspirei, esfregando as mãos no rosto, tentando recuperar o autocontrole. Eu não podia me permitir sentir aquilo por ele. Não por Lorenzo Moretti. Não por um homem que carregava o peso de um passado sombrio, uma marca de luto nos olhos e uma intensidade que parecia perigosa