(Lorenzo)
Há um momento exato em que o instinto deixa de servir apenas para proteger.
Ele passa a existir para impedir que a gente se destrua.
Eu reconheci esse momento quando saí do quarto de Júlia naquela noite. O corredor pareceu mais estreito, mais escuro, mais consciente da minha presença — como se a mansão inteira soubesse que algo havia mudado irrevogavelmente.
Eu toquei nela.
Nada explícito. Nada que pudesse ser explicado com facilidade. Mas toquei o suficiente para admitir o que vinha