(Lorenzo)
Eu sempre fui bom em controle.
Controle de negócios.
De crises.
De pessoas.
Mas nunca precisei controlar o próprio coração.
Até Júlia.
Fiquei parado no meu escritório por quase uma hora depois de sair daquela sala. O reflexo do canal atravessava as janelas altas e se projetava no teto como sombras líquidas, ondulando lentamente — como se a própria água tentasse me lembrar que nada permanece estável para sempre.
Eu disse que tentaria me afastar.
Mentira.
Eu já sabia que não conseguiria