(Júlia)
Há lugares que nos observam antes mesmo de sabermos que estamos sendo observados.
Naquela manhã, acordei com essa sensação cravada no peito. Não foi um barulho. Não foi um sonho ruim. Foi a certeza incômoda de que algo — alguém — havia ultrapassado uma linha invisível.
A mansão estava silenciosa demais.
Levantei-me devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse acordar não apenas a casa, mas o que quer que estivesse espreitando por trás dela. Caminhei até a janela. A névoa matinal e