(Lorenzo )
O medalhão não deveria estar ali.
Essa foi a primeira coisa que pensei quando a luz do salão se estabilizou e o objeto refletiu um brilho pálido contra o mármore. Por um instante, cheguei a acreditar que meus olhos estavam me enganando — que a noite, o cansaço e os fantasmas haviam decidido brincar comigo. Mas não era ilusão. Eu conhecia aquele medalhão melhor do que qualquer outra coisa neste mundo.
O frio que ele carregava não vinha do metal.
Vinha da memória.
Eu o segurei com cuidado demais, como se tocar nele pudesse acordar algo que nunca deveria acordar. Na minha mente, vi Isabella usando-o, inclinando a cabeça de leve enquanto sorria para mim, sempre daquele jeito que misturava mistério e algo indecifrável. Isabella nunca foi simples. Nunca foi frágil. Nunca foi previsível.
E ninguém nunca entendeu isso além de mim.
Ou talvez… eu tenha fingido não entender.
— Vá para o quarto de Matteo — eu disse a Júlia, a voz saindo mais dura do que eu pretendia.
Não porque ela tiv