Café com Camadas

O sino da porta tocou com seu som familiar assim que entrei na confeitaria. A fachada azul-clara, as cortinas rendadas, o cheiro de café e açúcar queimado me abraçaram como uma lembrança boa que insiste em voltar. Aquela doceria tinha o dom de me acolher mesmo quando o mundo parecia afiado demais lá fora.

Liam ergueu os olhos do balcão, fingindo um cansaço teatral ao me ver. Seus olhos cintilaram com o tipo de humor afiado que eu já esperava.

— A mulher do pudim voltou. Vai querer a mesa de sempre ou vai inovar hoje?

— Tô me sentindo ousada… então, a mesa de sempre — respondi com um sorriso contido.

— A ousadia me surpreende, senhorita.

Sentei no meu canto favorito, perto da janela, e deixei a cidade do lado de fora seguir seu ritmo. Aquela mesinha de madeira, com sua cadeira antiga e a toalha rendada um pouco torta, era meu esconderijo não declarado. Um lugar onde eu podia respirar sem ser puxada por urgências.

Abri o caderno com algumas anotações soltas, mas não consegui focar de im
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