O sol daquela tarde de terça-feira entrava suave pelas janelas de uma confeitaria reservada, um refúgio de tons pastéis e aroma de baunilha no coração de um bairro tranquilo. Cristina chegou primeiro. Ela vestia um conjunto de linho claro, a imagem da serenidade que tanto batalhou para conquistar. Enquanto esperava, olhava para a aliança em seu dedo, o diamante de um rosa-claro capturava a luz e refletia pequenos arco-íris nas paredes. O perdão era um jardim que precisava de manutenção constante, e hoje ela plantaria a semente mais difícil de todas.
Quando o sino da porta tocou, Gabriela entrou. Ela parecia pequena, quase frágil, sem as armaduras de luxo que costumava ostentar. Ao ver Cristina, parou por um segundo, o fôlego curto enquanto apertava a alça da bolsa que carregava. Caminhou até a mesa com passos incertos e sentou-se à frente da mulher que tanto tentara destruir.
— Obrigada por vir, Cristina. — Gabriela começou, a voz trêmula, os olhos já marejados. — Eu não sei se eu ter