A noite em São Paulo parecia ter finalmente decidido descansar, trocando o rugido incessante do trânsito por um murmúrio suave de brisa entre as árvores da rua arborizada onde Fernando morava. Em sua sala, a luz era quente, vinda apenas de alguns abajures estrategicamente posicionados e das chamas tímidas que dançavam na lareira. O aroma de um vinho tinto encorpado e de sândalo preenchia o ar, criando uma redoma de paz que Cristina, por muitos anos, acreditou ser um luxo proibido para alguém co