A noite em São Paulo parecia ter finalmente decidido descansar, trocando o rugido incessante do trânsito por um murmúrio suave de brisa entre as árvores da rua arborizada onde Fernando morava. Em sua sala, a luz era quente, vinda apenas de alguns abajures estrategicamente posicionados e das chamas tímidas que dançavam na lareira. O aroma de um vinho tinto encorpado e de sândalo preenchia o ar, criando uma redoma de paz que Cristina, por muitos anos, acreditou ser um luxo proibido para alguém como ela. Uma música suave e baixa, embalava o casal enamorado.
Cristina estava aninhada nos braços de Fernando no grande sofá. Sua cabeça repousava no peito dele, e o som rítmico do coração de Fernando era a música mais doce que ela já ouvira. Ele passava os dedos preguiçosamente pelos cabelos dela, um carinho que desatava os últimos nós de tensão que ainda persistiam em seus ombros.
— Sabe o que eu estava pensando? — Ela começou, a voz suave, quase um sussurro. — No silêncio desta casa. É um sil