A manhã da audiência de custódia nasceu sob um céu de chumbo, como se a própria natureza conspirasse com o peso que esmagava o peito de Cristina. Ela mal conseguia pregar os olhos na noite anterior. Cada vez que os fechava, via o rosto de Angelo e Sofia, as gargalhadas dos dois ecoando em sua mente como um eco de um mundo que ela temia estar prestes a perder para sempre. Naquela manhã, o café na casa de Omar e Maria foi silencioso. Não havia palavras que pudessem aliviar a imagem do oficial de justiça e as palavras cortantes que ainda ecoavam na mente de todos: incapacidade civil.
Fernando não saiu do lado dela. Sua presença era como um porto seguro no meio de um maremoto. Ele ajudou a vestir as crianças, tentando manter a rotina o mais normal possível, embora seus próprios dedos tremessem de indignação:
— Vai dar tudo certo, Cris. — Ele sussurrou no corredor, enquanto ela terminava de prender o cabelo, os olhos vermelhos denunciando a noite em claro. — O Barros está trabalhando. Ele