A manhã seguinte não trouxe alívio. Na empresa, o clima era de tensão. Funcionários cochichavam pelos corredores, olhares desconfiados cruzavam-se ao ver Cristina entrar. Era como se todos já soubessem da denúncia, como se a notícia tivesse se espalhado com veneno.
Fernando chegou antes dela. Estava na sala da diretoria, conversando com a gerente administrativa. O rosto dela estava pálido, os olhos cheios de receio.
— Fernando, recebemos cópia de documentos da Receita... e tem coisa muito estranha nisso. — Ela abriu uma pasta. — Movimentações que não correspondem ao que está registrado em nossos balanços oficiais.
Cristina sentou-se devagar, as pernas tremiam. Puxou uma folha da pasta. O sangue gelou.
Era a mesma conta bancária falsa que o delegado havia mostrado. As mesmas movimentações adulteradas, agora confirmadas como se viessem da própria empresa.
— Não... isso não pode ser real... — ela murmurou, apertando as folhas contra o peito, como se pudesse esmagar a mentira até desapa