Melina começou a perceber Diogo antes mesmo de vê-lo. O som dos passos no corredor, o leve deslocar de objetos, a maneira como a casa parecia reagir à presença dele. Era irritante. E, de alguma forma, inevitável.
Ela estava sentada no sofá, trabalhando no notebook, quando sentiu alguém se aproximar por trás.
— Você costuma se sentar torta assim? — Diogo perguntou.
— Eu costumo me sentar confortável — respondeu, sem erguer o olhar.
— Isso vai prejudicar sua postura.
— Meu corpo sobreviveu até aqui — ela disse.
Ele cruzou os braços.
— Não estou criticando.
— Está observando demais — respondeu.
— É difícil não observar quando alguém ocupa metade da sala com papéis.
— Eu preciso ver o que estou fazendo — ela rebateu.
— Você precisa de uma mesa.
— Você precisa relaxar — ela devolveu.
Ele suspirou e se afastou, mas não sem antes recolher um papel que havia caído no chão e colocá-lo sobre a mesa, alinhado com os outros.
Melina notou.
— Você não consegue ignorar, consegue? — disse.
— Não — re