Arthur estava sentado ao lado do sofá, inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos. Os olhos cansados, atentos demais, como se não tivesse piscado desde que ela apagara.
— Fica deitada mais um pouco. — ele disse, aproximando-se um pouco.
Helena respirou fundo, fechando os olhos por um segundo.
— Quanto tempo eu…?
— Poucos minutos — respondeu. — Mas pareceram horas.
Ela abriu os olhos de novo e o encarou. O coração bateu diferente. Forte demais. Errado demais.
— O Miguel? — perguntou, a voz baixa.
— Está no quarto. A Maria colocou um desenho pra ele assistir. — Arthur hesitou. — Ele ficou assustado.
A culpa atravessou Helena como uma lâmina fina.
— Me desculpa…
— Não — ele respondeu rápido. — Não faz isso.
Houve um silêncio denso entre eles. Nenhum dos dois parecia saber exatamente por onde começar. O que dizer depois de algo assim? Como fingir normalidade quando o próprio corpo tinha traído qualquer tentativa de negação?
Helena foi a primeira a desviar o olhar.
— Eu ac