Lucas
Lucas nunca foi do tipo que se apaixonava fácil. Sempre foi racional, cuidadoso, acostumado a manter o controle da própria vida, das próprias emoções. Talvez por isso o que sentia por Helena tivesse chegado de forma tão silenciosa e, ao mesmo tempo, tão profunda. Não foi um impacto imediato, não foi desejo avassalador no primeiro olhar. Foi algo mais perigoso. Mais lento. Mais verdadeiro.
Ele se apaixonou pela doçura dela.
Pelo jeito como Helena sorria com os olhos antes mesmo dos lábios. Pela forma atenta com que escutava, como se cada palavra tivesse importância. Pela delicadeza nos gestos, pela empatia quase instintiva, pela maneira como falava das crianças, da família, da vida simples que carregava dentro de si mesmo vivendo numa cidade grande.
Fazia tempo demais que Lucas não se sentia assim. Tão interessado em alguém não pelo que ela representava socialmente, mas pelo que despertava dentro dele.
Por isso, quando começou a perceber a distância dela, não conseguiu ignorar.