Helena saiu da cafeteria com passos lentos, como se o próprio corpo estivesse tentando acompanhar o peso que havia se instalado dentro do peito. O ar da rua parecia mais frio do que antes, embora o dia não tivesse mudado. Ela caminhou alguns metros sem rumo certo, apenas respirando fundo, sentindo a mistura confusa de alívio e tristeza que a acompanhava desde que se despediu de Lucas.
Ela tinha feito a coisa certa. Sabia disso. Ainda assim, doía.
Doía porque Lucas tinha sido gentil. Presente. Honesto. Doía porque ela queria, de verdade, ter conseguido sentir por ele o que ele sentia por ela. Ter retribuído aquele carinho sem reservas, sem conflitos, sem fantasmas do passado — ou de outra vida — atravessando seus pensamentos.
Sem pensar muito, Helena pegou o celular e mandou uma mensagem curta para Laura:
“Posso ir aí? Preciso conversar.”
A resposta veio quase imediata:
“Claro. Vem.”
Quando chegou à casa da amiga, Laura abriu a porta antes mesmo que Helena tocasse a campainha. Bastou