Helena Azevedo
Quando Lucas estacionou o carro em frente ao meu prédio, o silêncio se instalou entre nós como algo vivo. A noite tinha sido agradável — leve, até — e ainda assim eu sentia um peso estranho no peito, como se estivesse levando comigo algo que não sabia onde guardar.
— Eu gostei muito de hoje — ele disse, virando-se para mim com um sorriso calmo, sincero. — De verdade.
— Eu também — respondi, e não era mentira. — Obrigada por tudo.
Lucas assentiu, mas não abriu a porta de imediato. Seus olhos ficaram em mim por alguns segundos a mais do que o normal, como se estivesse medindo a distância entre o que sentia e o que podia fazer. Eu percebi. Senti. Meu coração acelerou.
Ele se aproximou um pouco, devagar, respeitoso. Por um instante, tive certeza de que ele ia me beijar. A ideia não me assustou — o que me assustou foi o nome que surgiu na minha mente naquele exato segundo.
Arthur.
Lucas parou. Respirou fundo.
— Boa noite, Helena — disse, com uma suavidade que me desmontou.
—