Arthur segurava a pequena mão de Miguel enquanto caminhavam pelo corredor da escola. O menino falava sem parar, misturando histórias da aula, comentários sobre os brinquedos e perguntas que surgiam e desapareciam na mesma velocidade. Arthur ouvia tudo com atenção silenciosa, sentindo algo raro acontecer dentro de si: o peso no peito diminuía.
Miguel era o único capaz de provocar esse efeito.
— Tio, hoje eu não quero ficar com a babá — disse de repente, parando no meio do caminho e olhando para ele com seriedade infantil. — Quero ficar com você.
Arthur parou também. Agachou-se para ficar na mesma altura do sobrinho e analisou aquele rostinho que era tão parecido com o da irmã que perdera um ano antes. Os olhos grandes, curiosos, cheios de perguntas que nem sempre tinham resposta.
— E o que você quer fazer comigo hoje? — perguntou com suavidade.
Miguel pensou bastante, franzindo a testa como se estivesse tomando uma decisão importante demais para alguém de quase quatro anos.
— A gente p