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LINHAS QUE NÃO SE CRUZAM

— O que está acontecendo aqui?

A voz dele não foi alta.

Não precisou ser.

Ela atravessou o espaço com precisão, como tudo que vinha dele. Suzana se recompôs primeiro.

Claro. Ela sempre se recompunha primeiro.

— Senhor Volkov — disse, virando-se completamente para ele, a postura impecável voltando como se nunca tivesse sido quebrada — Samantha estava tentando ultrapassar os limites e protocolos da empresa.

Senti o olhar dele se mover.

De forma lenta.

Calculada.

Parando em mim.

— Eu apenas precisava...

— Ela está tentando encobrir um erro — Suzana cortou, sem hesitar. — E achou que poderia manipular a situação vindo diretamente até o senhor.

Silêncio.

Curto.

Mas carregado.

— Eu não estou...

— Ela quer que o senhor acredite que o relatório não é dela — continuou Suzana, agora com mais firmeza — quando, na verdade, está apenas tentando fugir da responsabilidade.

Meu corpo ficou rígido.

Não por insegurança.

Mas por indignação.

Aquilo não era só uma acusação.

Era uma tentativa clara de controlar a narrativa. De me silenciar. Mas antes que eu dissesse qualquer coisa ele falou.

— Cuidado.

Uma única palavra.

Baixa.

Fria.

Perigosa.

Suzana parou.

Literalmente.

Como se tivesse sido puxada de volta por algo invisível. O olhar dele não estava mais neutro.

Nem analítico.

Estava... irritado.

Não.

Era mais do que isso.

Era ofendido.

— Ninguém me engana.

A frase foi dita sem aumento de tom.

Mas o impacto foi imediato.

Eu senti.

No ar.

Na postura dela.

Em mim.

— Eu não preciso que você me diga em quem acreditar.

Silêncio.

Suzana não respondeu.

E isso, vindo dela... era significativo.

— A partir de agora — continuou ele, ainda olhando para ela — Samantha Whitmore tem acesso direto ao meu andar.

Meu coração falhou um segundo.

— Passe livre.

Direto.

Sem espaço para interpretação.

— Senhor Volkov, eu...

— Isso não é uma sugestão.

Agora o tom mudou.

Sutilmente.

Mas o suficiente para encerrar qualquer tentativa de argumentação. Suzana assentiu lentamente. Mas havia algo no olhar dela agora. Algo que não estava ali antes.

Raiva.

Controlada.

Mas presente.

— Entre.

Ele não olhou para mim ao dizer, já estava voltando para o escritório. Como se soubesse que eu o seguiria, e eu segui, a porta se fechou atrás de mim.

O som foi suave.

Mas, dessa vez...

pareceu definitivo.

O ambiente era o mesmo.

Mas não era.

Algo tinha mudado.

Talvez nele.

Talvez em mim.

Talvez nos dois.

Ele caminhou até a mesa.

Sem pressa.

Sem olhar para trás.

— O que você descobriu?

Direto.

Sem rodeios.

Sem tempo para hesitação.

Respirei fundo.

Organizando.

— O relatório não passou por nenhum setor.

Ele parou.

Lentamente.

E então se virou.

Os olhos encontraram os meus.

Mais atentos agora.

— Explique.

Dei um passo à frente.

— Não existe registro de envio interno. Nenhum e-mail. Nenhum histórico. Nenhuma validação.

Pausa.

— Isso significa que o documento não circulou.

Silêncio.

Ele estava ouvindo.

De verdade.

— Foi enviado diretamente para o senhor.

O ar mudou.

De novo.

Mas agora...

mais pesado.

Mais denso.

— E por que alguém faria isso?

A pergunta veio baixa.

Mas não era simples.

E eu sabia.

Eu sabia exatamente o que estava insinuando.

Respirei.

Uma vez.

— Para evitar análise.

Outro passo.

Sem perceber.

— Se esse relatório passasse pelos setores alguém identificaria o erro.

Os olhos dele se estreitaram levemente.

— Continue.

Meu coração acelerou.

Mas não por medo.

Por precisão.

Por encaixe.

Por lógica.

— O erro não é comum — continuei. — É estrutural. Não parece descuido. Parece inserido.

Silêncio.

Ele não interrompeu.

— Então existem duas possibilidades.

Pausa.

Curta.

— Ou alguém extremamente incompetente teve acesso direto ao senhor...

Inclinei levemente a cabeça.

— Ou alguém fez isso de propósito.

O olhar dele mudou.

Mais escuro.

Mais focado.

— Com qual objetivo?

Agora eu não podia recuar.

— Encobrir.

A palavra saiu firme.

Sem tremor.

— Um rombo.

Silêncio.

Denso.

Quase palpável.

— Financeiro.

Agora não havia mais volta.

— Esse tipo de erro... em projeção... pode mascarar desvios.

Levantei o olhar.

Sustentei.

— Alguém está roubando a Volkov Industries.

O ambiente pareceu diminuir ou talvez fosse só a pressão aumentando.

— E não está sozinho.

As palavras saíram mais baixas agora.

Mas mais pesadas.

— Alguém com acesso direto ao senhor... está facilitando isso.

O silêncio que veio depois não foi normal.

Não foi apenas análise.

Foi... contenção.

Eu vi.

Vi no maxilar.

Na tensão dos ombros.

Na forma como ele ficou completamente imóvel.

Como se estivesse segurando algo.

Algo grande demais para escapar.

Quando ele falou a voz estava diferente.

Mais baixa.

Mais controlada.

— Você entende a gravidade do que está dizendo?

— Entendo.

E eu entendia mesmo.

Cada consequência.

Cada implicação.

Mas não recuei.

Não dessa vez.

Ele deu um passo na minha direção.

Depois outro.

Até estar perto.

De novo.

E, dessa vez não havia distância segura.

— Se você estiver certa...

A pausa foi curta.

Mas carregada.

— Isso não é um erro.

— Não — respondi.

Baixo.

Firme.

— Não é.

Silêncio.

E então algo mudou.

De novo.

Mas agora...

mais visível.

A raiva.

Não descontrolada.

Nunca descontrolada.

Mas intensa.

Densa.

Perigosa.

E, por algum motivo completamente irracional eu senti.

Não medo.

Não exatamente.

Algo diferente.

Algo que não fazia sentido dentro da minha lógica.

Algo... desconfortavelmente perceptível.

Aquilo era atraente.

A forma como ele controlava.

A forma como ele processava.

A forma como ele não explodia, mas poderia.

A qualquer momento.

Meu coração acelerou.

E, pela primeira vez desde que entrei naquela sala, não foi por causa do problema.

Foi por causa dele.

Desviei o olhar.

Rápido.

Como se isso fosse resolver.

Não resolveu.

— A partir de agora — disse ele, finalmente — você não trabalha mais apenas com dados.

Levantei o olhar.

Confusa.

— Você trabalha comigo.

O impacto veio imediato.

Direto.

Sem filtro.

— Nós vamos descobrir quem está por trás disso.

Pausa.

— E você vai me provar que está certa.

O olhar dele se fixou no meu.

— Porque, se estiver...

A voz baixou.

Perigosa.

— Eu quero nomes.

Meu coração bateu mais forte.

Mas agora...

eu sabia exatamente por quê.

Eu tinha cruzado uma linha.

E, dessa vez...

não havia mais como voltar a ser invisível.

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