A segunda-feira nasceu com uma claridade quase cruel. O sol refletia nas fachadas dos prédios como se quisesse iluminar sem piedade cada fissura, cada sombra deixada pela noite anterior. Isadora despertou cedo, ainda antes do movimento da rua, e percebeu que o silêncio no corredor da pensão era diferente: não havia o peso do medo, mas a suspensão de um tempo que aguardava notícias.
Pegou o jornal ainda quente na banca da esquina. A manchete ocupava toda a capa: “Empresário Gabriel Ferraz é Cond