Emma
O sofá de veludo gasto rangia sob meu peso, como se a própria boate Inferno reclamasse da minha presença, ecoando o caos que eu trouxera para dentro de mim mesma. O copo d’água tremia entre meus dedos; gotas escorriam pelo vidro, desenhando mapas de lágrimas que eu não ousava derramar, pois chorar agora seria admitir derrota. O lugar fedia a cigarro frio, perfume barato e desespero humano — um cheiro que grudava na pele como culpa. Luzes vermelhas pulsavam sobre corpos que dançavam como som