Mundo ficciónIniciar sesiónGabriel Albuquerque tinha o mercado na palma da mão. Aclamado como CEO do Ano, ele dedicou a vida a construir o império da família de sua noiva. Mas o topo é um lugar perigoso: em questão de meses, uma traição devastadora tirou-lhe o cargo, o noivado e a dignidade. Falido e reduzido a manchetes sensacionalistas, Gabriel promete que jamais voltará a ser o peão de luxo de ninguém. Do outro lado da cidade, Cristal da Silva é a exceção incômoda em um clube fechado de empresários poderosos. Mulher, jovem e vinda da favela, ela revolucionou o e-commerce em plena crise global, mantendo sua empresa no topo contra todas as probabilidades. Porém, por trás da postura elegante e do sorriso calculadamente sereno, Cristal enfrenta a exaustão extrema e o cerco implacável de predadores dispostos a transformar seu sucesso em mero troféu de diversidade. Quando o destino aproxima Gabriel e Cristal no momento mais crítico de suas vidas, a atração avassaladora e a ambição de ambos desencadeiam um pacto perigoso. Entre jogos de poder, segredos do passado e um desejo incontrolável que ameaça quebrar todas as suas defesas, eles descobrirão que a verdadeira vitória exige entregar mais do que a mente exige entregar o coração.
Leer másGabriel
“Gabriel Albuquerque, o CEO falido.”
As letras em negrito na capa do jornal impresso pareciam queimar meus olhos. A manchete era um golpe seco, direto no estômago, daqueles que tiram o ar e fazem a visão escurecer por alguns segundos.
Tomado por uma mistura corrosiva de raiva e humilhação, amassei o papel com força entre os dedos e o arremessei longe. O jornal voou sem firmeza pelo ar até cair miseravelmente no canto da sala, exatamente em cima de uma das várias caixas de papelão empilhadas para a mudança.
O som do papel atingindo o papelão ecoou pelo apartamento quase vazio, um lembrete doloroso de quão silencioso e solitário aquele lugar se tornara.
Passei a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer e a exaustão impregnada na pele. Em seguida, joguei um olhar pesado para a mesa de centro.
Lá estavam eles, dezenas de envelopes de cartas com timbres bancários e tarjas vermelhas. Cartas de cobrança, notificações extras judiciais, avisos de despejo. Cada um daqueles papéis era uma prova irrefutável de que a reportagem sensacionalista não era Fake News.
Eu realmente estava falido.
Perdi tudo o que conquistei ao longo de anos de trabalho árduo, noites em claro, reuniões exaustivas e viagens de negócios. Em questão de meses, o império que ajudei a erguer com o meu próprio suor desmoronou como um castelo de cartas ao vento, levando consigo a minha reputação, o meu prestígio e, acima de tudo, o meu orgulho.
Fechei meus olhos com força e balancei a cabeça devagar, em uma tentativa inútil de afastar a enxurrada de pensamentos negativos que ameaçava me sufocar, mas não adiantava.
Eles vinham aos montes, violentos e desordenados, como uma tempestade sem fim que não me dava um minuto sequer de sossego. Minha mente repassava cada decisão, cada erro, cada minuto de confiança cega que me trouxe até esta ruína.
Soltei um suspiro pesado, que pareceu rasgar meu peito, e me forcei a sair do lugar. Caminhei até o centro do quarto, onde algumas caixas de papelão ainda vazias aguardavam no chão.
Sem o menor cuidado ou paciência, comecei a pegar minhas roupas do armário, peças de alfaiataria impecáveis que um dia vestiram o grande executivo do ano, e as joguei de qualquer jeito no fundo das caixas. Não havia mais espaço para capricho ou vaidade.
A cada movimento, meus olhos inevitavelmente voltavam a bater naquele maldito jornal amassado no canto da sala. A manchete continuava ali, me encarando como uma zombaria.
A cada relance, a raiva dentro de mim borbulhava com mais força, fazendo o sangue pulsar quente nas minhas têmporas.
Era simplesmente impossível não me lembrar do meu passado tão recente. Um passado onde eu não era um homem despejado e falido, mas sim alguém respeitado, temido e no topo do mundo dos negócios.
Há aproximadamente oito meses, a realidade era completamente diferente. Eu era considerado um dos homens mais poderosos e influentes do setor varejista do Brasil.
Minha rotina consistia em decisões milionárias, reuniões de alto nível e o comando direto de uma estrutura gigantesca com mais de 40 mil funcionários. Eu tinha o mercado na palma da mão.
Contudo, existia um detalhe crucial por trás de todo aquele glamour, eu apenas administrava. A empresa não era minha. O império pertencia ao meu sogro e à minha noiva.
Hoje, olhando para o vazio deste apartamento, sei que esse foi o maior e mais ingênuo erro da minha vida. Dediquei meus melhores anos, minha saúde e toda a minha energia intelectual para construir e multiplicar um patrimônio que, no papel, não me pertencia em nada.
Eu me empenhei de alma inteira por algo que nunca foi meu. Mas, até alguns meses atrás, cego pelo sucesso e pelas promessas, eu jamais poderia imaginar que perderia tudo, o cargo, o teto, o prestígio e a honra, de um dia para o outro.
Minha queda começou, na verdade, no dia em que conheci Solange, há cerca de cinco anos. Ela era uma mulher estonteante, elegante, com um charme avassalador que me fascinou desde o primeiro segundo.
Em pouco tempo, já estávamos namorando firme. O relacionamento ia de vento em polpa quando ela finalmente decidiu me apresentar ao seu pai.
No momento em que entrei naquela sala e apertei a mão de Arthur Gonsalves, eu o reconheci imediatamente. O sobrenome Gonsalves tinha peso, mas os bastidores daquele homem guardavam segredos que eu só descobriria quando já era tarde demais.
Na época em que conheci Solange, eu estava trabalhando no corpo executivo de uma empresa concorrente à dele. Por estar no mesmo setor, eu acompanhava os bastidores do mercado e sabia perfeitamente que a Gonsalves Imóveis enfrentava uma crise sem precedentes.
Nos corredores corporativos, os rumores eram altos, a empresa estava no limite do abismo e, se nada mudasse, decretaria falência em poucos meses.
Conforme meu namoro com Solange progredia e o sentimento se aprofundava, minha proximidade com Arthur Gonsalves seguiu o mesmo caminho. Ele enxergou em mim a saída para o seu desastre financeiro.
Por isso, quando Arthur me fez o convite oficial para assumir a gestão e tentar resgatar a empresa do buraco, não pensei duas vezes. Aceitei o desafio movido pelo amor que sentia pela filha dele e pelo desejo de provar meu valor.
Não foi uma tarefa fácil. Foram mais de dois anos de noites em claro, reestruturações severas, demissões dolorosas e estratégias agressivas até que a Gonsalves Imóveis finalmente saísse do vermelho e voltasse a registrar lucros milionários.
Eu renovei a marca, resgatei a confiança dos investidores e coloquei a empresa no topo.
Naquela mesma época, no auge do meu sucesso e do entusiasmo de ter salvo o patrimônio da família, dei o passo que selaria meu destino, pedi Solange em casamento.
Apaixonado e cego, eu realmente não conseguia visualizar meu futuro com outra mulher que não fosse ela.
Eu só não sabia que a minha maior vitória corporativa seria, na verdade, o início da armadilha perfeita que me destruiria.
CristalMe afasto dele de forma nada sutil, dando um passo firme para trás antes de erguer a mão para limpar, em um gesto deliberado, o local do braço onde o dedo dele encostou.No mesmo instante, desfaço qualquer vestígio do sorriso diplomático dos meus lábios, encarando-o com o olhar gélido.— Luiz, eu já lhe disse mais de uma vez que não tenho o menor interesse em um investidor Saliento, deixando minha voz soar grave, pausada e absurdamente séria.— Eu cuido muito bem da minha empresa sozinha.Ele solta um risinho condescendente, ajeitando a botoeira do paletó com a calma exasperante de quem se acha superior.— Um investidor não serve apenas para aportar capital, Cristal. Também serve para passar seriedade, credibilidade, para blindar a imagem do negócio.A audácia daquela frase faz minhas sobrancelhas se erguerem no ato.— Eu não passo seriedade?Rebato, cruzando os braços e sustentando a postura.— Você por acaso se esqueceu de que eu fui uma das indicadas ao prêmio de Melhor Em
CristalSeguro um sorriso calculadamente sereno ao ouvir o locutor anunciar o nome do meu concorrente como o vencedor do prêmio de Melhor Empresário do Ano.Lentamente, abro um sorriso mais amplo e charmoso.Ergo as mãos com graciosidade e bato palmas no ritmo da plateia, mantendo inabalável a imagem de uma mulher calma, elegante e singela exatamente a postura de quem quer transmitir a ilusão de que não se importa com quem levou o troféu para casa.O que, na realidade, é uma tremenda mentira.Por trás dessa fachada perfeitamente ensaiada de tranquilidade e esportiva, sinto meu sangue borbulhar de raiva a cada aplauso do salão.Eu sabia o quanto havia trabalhado, o quanto havia inovado no e-commerce e os números incontestáveis que minha empresa alcançou em pleno ano de crise.Mas, para a banca daquele evento, o mérito pouco importava quando colocado na balança contra o favoritismo do clube dos homens.Pelo canto do olho, vejo Luiz caminhando na minha direção com aquele sorriso sonso e
GabrielUm beliscão forte e doloroso no meu braço me fez dar um sobressalto, cortando o transe. Virei o rosto rapidamente e dei de cara com Solange me encarando com o rosto vermelho e os olhos faiscando de uma raiva desmedida.Ela nem tentou disfarçar a fúria. A partir daquele exato momento, o evento que já era cansativo se tornou completamente insuportável, a atmosfera na nossa mesa azedou de vez.O clima pesou ainda mais quando, mais tarde na recepção do salão, fomos finalmente apresentados a Cristal e a Luiz Alvarenga.Assim que as apresentações começaram, Solange não fez o menor esforço para ser agradável. Com um sorriso falso e o tom carregado de veneno, ela foi extremamente indelicada com a convidada de Luiz, disparando indiretas mal disfarçadas.Cristal, no entanto, deu um show de classe e maturidade. Sem se rebater com baixarias, ela se comportou com uma educação impecável, mantendo a postura altiva e o queixo erguido, como se os insultos velados de Solange fossem mero barulho
GabrielNos dois anos seguintes à minha entrada oficial na Gonsalves Imóveis, trabalhei com uma voracidade quase obsessiva.O resultado não demorou a aparecer fiz a empresa prosperar a níveis exorbitantes, multiplicando a receita e expandindo a atuação da marca para mercados até então inexplorados. Meu nome passou a figurar em capas de revistas de negócios, meu sucesso na administração se tornou referência no meio corporativo e o ápice desse reconhecimento veio quando fui premiado como o CEO do Ano.Eu estava no topo. Mas o topo, descobri da pior maneira, é um lugar extremamente solitário e instável.O sucesso fulgurante no ramo imobiliário e varejista acabou atraindo dores de cabeça que eu não previ.A boa convivência que mantinha com meu sogro, Arthur, foi se desvaindo aos poucos, dando lugar a uma tensão diária no escritório. As desavenças se tornaram frequentes e acaloradas à medida que nossas visões de negócios colidiam.Eu tinha os olhos no futuro. Enxergava com clareza a transf





Último capítulo