Capítulo 48

O treino terminou em silêncio satisfeito.

Não havia euforia — só aquela sensação boa de corpo cansado e mente no lugar.

Depois, o jantar leve: legumes, algo simples, quase ritualístico. Mateo observava Ayla comer devagar, atento demais a cada gesto.

— Está tudo bem? — ele perguntou pela terceira vez.

Ela sorriu, paciente. — Está. Prometo que, se não estiver, eu falo.

Ele assentiu, ainda assim inquieto.

Subiram para o quarto quando a noite já havia engolido a mansão. O ambiente estava calmo demais para quem vivia cercado por guerra. Ayla fechou a porta atrás deles e encostou nela por um segundo, observando Mateo largar a arma, o relógio, as defesas.

Ela se aproximou devagar.

— Você está com medo — disse, baixo.

Mateo respirou fundo. — Estou com cuidado.

— Eu sei. — Ayla tocou o rosto dele, as mãos quentes, firmes. — Mas eu preciso de você… não só cuidando de mim. Preciso sentir você comigo.

Ele fechou os olhos quando ela encostou a testa na dele.

— Tenho medo de machucar — confessou.
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