O treino terminou em silêncio satisfeito.
Não havia euforia — só aquela sensação boa de corpo cansado e mente no lugar.
Depois, o jantar leve: legumes, algo simples, quase ritualístico. Mateo observava Ayla comer devagar, atento demais a cada gesto.
— Está tudo bem? — ele perguntou pela terceira vez.
Ela sorriu, paciente. — Está. Prometo que, se não estiver, eu falo.
Ele assentiu, ainda assim inquieto.
Subiram para o quarto quando a noite já havia engolido a mansão. O ambiente estava calmo demais para quem vivia cercado por guerra. Ayla fechou a porta atrás deles e encostou nela por um segundo, observando Mateo largar a arma, o relógio, as defesas.
Ela se aproximou devagar.
— Você está com medo — disse, baixo.
Mateo respirou fundo. — Estou com cuidado.
— Eu sei. — Ayla tocou o rosto dele, as mãos quentes, firmes. — Mas eu preciso de você… não só cuidando de mim. Preciso sentir você comigo.
Ele fechou os olhos quando ela encostou a testa na dele.
— Tenho medo de machucar — confessou.