Capítulo 47

Aos olhos de •Mateo•

O silêncio do quarto nunca foi tão barulhento.

Eu observava Ayla dormir, o rosto finalmente relaxado, como se o corpo tivesse entendido antes da mente que algo ali precisava ser protegido. A mão dela repousava sobre o ventre — inconsciente, instintiva — e aquilo me atingiu mais forte do que qualquer tiro que já levei de raspão.

Eu sempre achei que certas coisas não eram pra mim.

Família. Futuro. Continuidade.

O mundo me ensinou cedo demais que homens como eu não deixam herança — só histórias mal contadas e inimigos vivos demais.

E agora… isso.

Um filho.

O pensamento me fez sorrir por meio segundo. Logo depois, veio o peso.

Otton.

Ele já não jogava xadrez. Estava quebrando o tabuleiro. Quando um homem chega nesse ponto, não há regra, não há honra, não há limite. E se ele soubesse…

— Não — murmurei baixo, mais pra mim do que pra qualquer outro. — Você não vai tocar nela. Em nenhum dos dois.

Beijei a testa de Ayla com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudes
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