Aos olhos de •Mateo•
O silêncio do quarto nunca foi tão barulhento.
Eu observava Ayla dormir, o rosto finalmente relaxado, como se o corpo tivesse entendido antes da mente que algo ali precisava ser protegido. A mão dela repousava sobre o ventre — inconsciente, instintiva — e aquilo me atingiu mais forte do que qualquer tiro que já levei de raspão.
Eu sempre achei que certas coisas não eram pra mim.
Família. Futuro. Continuidade.
O mundo me ensinou cedo demais que homens como eu não deixam herança — só histórias mal contadas e inimigos vivos demais.
E agora… isso.
Um filho.
O pensamento me fez sorrir por meio segundo. Logo depois, veio o peso.
Otton.
Ele já não jogava xadrez. Estava quebrando o tabuleiro. Quando um homem chega nesse ponto, não há regra, não há honra, não há limite. E se ele soubesse…
— Não — murmurei baixo, mais pra mim do que pra qualquer outro. — Você não vai tocar nela. Em nenhum dos dois.
Beijei a testa de Ayla com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudes