O endereço piscava na tela do celular de Lia como um desafio mal disfarçado.
— Claro… — murmurou, pegando a bolsa.
— Um convite anônimo. O que poderia dar errado?
Ela não avisou Mateo.
Não por descuido.
Mas porque sabia exatamente o que estava fazendo.
O galpão ficava em uma área antiga da cidade. Iluminado demais para ser abandonado. Silencioso demais para ser seguro.
Lia entrou sem hesitar.
— Pontual — disse uma voz masculina, ecoando pelo espaço. — Gosto disso.
Dante saiu das sombras com um sorriso preguiçoso, elegante demais para aquele lugar.
— Você manda mensagens misteriosas e espera flores? — Lia rebateu. — Poupe meu tempo.
Ele riu. — Direta. Entendo agora por que Mateo confia tanto em você.
— Não confia — ela corrigiu. — Ele sabe.
Dante se aproximou um pouco mais. — Então vamos ao ponto. Otton está desesperado. E homens desesperados cometem erros… barulhentos.
— E você? — Lia cruzou os braços. — Está aqui por altruísmo?
— Estou aqui porque gosto de sobreviver — ele respondeu