Capítulo 39

O endereço piscava na tela do celular de Lia como um desafio mal disfarçado.

— Claro… — murmurou, pegando a bolsa.

— Um convite anônimo. O que poderia dar errado?

Ela não avisou Mateo.

Não por descuido.

Mas porque sabia exatamente o que estava fazendo.

O galpão ficava em uma área antiga da cidade. Iluminado demais para ser abandonado. Silencioso demais para ser seguro.

Lia entrou sem hesitar.

— Pontual — disse uma voz masculina, ecoando pelo espaço. — Gosto disso.

Dante saiu das sombras com um sorriso preguiçoso, elegante demais para aquele lugar.

— Você manda mensagens misteriosas e espera flores? — Lia rebateu. — Poupe meu tempo.

Ele riu. — Direta. Entendo agora por que Mateo confia tanto em você.

— Não confia — ela corrigiu. — Ele sabe.

Dante se aproximou um pouco mais. — Então vamos ao ponto. Otton está desesperado. E homens desesperados cometem erros… barulhentos.

— E você? — Lia cruzou os braços. — Está aqui por altruísmo?

— Estou aqui porque gosto de sobreviver — ele respondeu
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