O amanhecer chegou pesado.
Não pelo silêncio — a mansão sempre fora silenciosa — mas pela ausência de ingenuidade. Algo tinha mudado durante a madrugada, e Ayla sentiu isso antes mesmo de abrir os olhos.
Mateo não estava ao lado dela.
Sentou-se devagar na cama, puxando o lençol até o peito. O corpo ainda carregava as marcas da noite, mas agora era o pressentimento que pulsava mais forte. Caminhou até a janela. A segurança no pátio estava reforçada. Homens a mais. Posturas rígidas demais para uma manhã comum.
— Começou… — murmurou.
No escritório, Mateo permanecia imóvel diante do mapa projetado na parede.
Pontos vermelhos marcavam perdas, rotas comprometidas, nomes que não deveriam mais estar ali.
Yuri estava encostado à mesa, braços cruzados. — Dante quer barulho. Não dinheiro. Quer atenção.
— Ele quer reação — corrigiu Mateo. — E vai ter.
Lia entrou sem bater, como sempre fazia quando o clima ficava denso demais. — Ayla acordou.
Mateo respirou fundo. Não virou o rosto de imediato. —