Capítulo 38

O amanhecer chegou pesado.

Não pelo silêncio — a mansão sempre fora silenciosa — mas pela ausência de ingenuidade. Algo tinha mudado durante a madrugada, e Ayla sentiu isso antes mesmo de abrir os olhos.

Mateo não estava ao lado dela.

Sentou-se devagar na cama, puxando o lençol até o peito. O corpo ainda carregava as marcas da noite, mas agora era o pressentimento que pulsava mais forte. Caminhou até a janela. A segurança no pátio estava reforçada. Homens a mais. Posturas rígidas demais para uma manhã comum.

— Começou… — murmurou.

No escritório, Mateo permanecia imóvel diante do mapa projetado na parede.

Pontos vermelhos marcavam perdas, rotas comprometidas, nomes que não deveriam mais estar ali.

Yuri estava encostado à mesa, braços cruzados. — Dante quer barulho. Não dinheiro. Quer atenção.

— Ele quer reação — corrigiu Mateo. — E vai ter.

Lia entrou sem bater, como sempre fazia quando o clima ficava denso demais. — Ayla acordou.

Mateo respirou fundo. Não virou o rosto de imediato. —
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