Mateo fechou a porta do quarto com o pé, ainda com Ayla nos braços. O mundo lá fora podia esperar alguns segundos.
— Você sente quando as coisas mudam — ele disse, baixo, quase um elogio. Você sempre sente…
— Eu sobrevivi tempo demais fingindo que não sentia — Ayla respondeu. — Não faço mais isso.
Ele a soltou devagar, como quem reluta em voltar à realidade.
— Dante está sob custódia. Otton… fora do tabuleiro.
— Fora do tabuleiro não é fora do jogo — ela rebateu, direta.
Mateo sorriu de canto. — Por isso eu te escolhi.
Na sala principal, Lia jogou a bolsa no sofá e se deixou cair ao lado, exausta — mas com aquele brilho perigoso nos olhos.
— Da próxima vez — Yuri comentou, encostando-se à parede — avisa antes de usar a própria cabeça como isca.
— Se eu avisasse — Lia respondeu, tirando o casaco — Dante não aparecia.
Homens como ele só falam quando acham que estão no controle.
Yuri cruzou os braços. — Você gosta de provocar incêndio.
— Eu gosto de saber onde está o fósforo.
Mateo entr