A madrugada não dormia.
A mansão respirava baixo, como um animal atento, sentindo que algo definitivo estava prestes a acontecer. As luzes eram poucas, estrategicamente acesas.
Segurança reforçada. Portões fechados. O mundo lá fora havia sido pausado.
Mas dentro… tudo estava em movimento.
Ayla estava sentada diante do espelho quando a porta se abriu suavemente. Lia entrou descalça, trazendo uma bandeja com chá e algo pequeno embrulhado em veludo.
— Eu sabia que você não conseguiria dormir — disse em tom baixo.
Ayla sorriu de canto. — Você também não.
Lia deixou a bandeja de lado e se aproximou. — Essa noite não é para dormir. É para atravessar.
Ela abriu o embrulho. Dentro, um colar delicado, simples, com uma única pedra clara.
— Era da minha mãe — Lia explicou. — Usei no dia em que perdi tudo. Quero que você use amanhã… no dia em que ganha algo novo.
Os olhos de Ayla marejaram. — Lia…
— Shhh — ela a interrompeu. — Hoje você não segura nada sozinha.
Elas ficaram alguns segundos em si