Os murmúrios começaram como sempre começam na máfia: baixos, discretos… e impossíveis de conter.
Otton sentia.
Não porque alguém tivesse coragem de enfrentá-lo de frente — ainda não — mas porque os olhares já não se abaixavam com a mesma rapidez. As respostas vinham mais curtas. As ordens, questionadas com silêncio demais.
Ele ainda era o chefe.
Mas já não era intocável.
No pátio, Yuri observava tudo com atenção calculada. A arma apoiada no ombro, o semblante sério. Quando Ayla passou por ele, apenas assentiu com a cabeça. Respeito. Nada mais.
Mais tarde, foi ele quem procurou Mateo.
— Preciso falar com você — disse, direto.
Mateo o encarou com cautela.
— Sobre o ataque?
— Sobre Ayla.
O silêncio se instalou.
— Antes de tudo — Yuri continuou — eu nunca toquei nela. Nunca. Quando éramos namorados… tentei. Ela disse não. Sempre disse. Eu traí por fraqueza, não porque ela falhou.
Mateo manteve o olhar firme.
— E por que está me dizendo isso agora?
Yuri respirou fundo.
— Porque ouvi coisas