Capítulo 24

Os murmúrios começaram como sempre começam na máfia: baixos, discretos… e impossíveis de conter.

Otton sentia.

Não porque alguém tivesse coragem de enfrentá-lo de frente — ainda não — mas porque os olhares já não se abaixavam com a mesma rapidez. As respostas vinham mais curtas. As ordens, questionadas com silêncio demais.

Ele ainda era o chefe.

Mas já não era intocável.

No pátio, Yuri observava tudo com atenção calculada. A arma apoiada no ombro, o semblante sério. Quando Ayla passou por ele, apenas assentiu com a cabeça. Respeito. Nada mais.

Mais tarde, foi ele quem procurou Mateo.

— Preciso falar com você — disse, direto.

Mateo o encarou com cautela.

— Sobre o ataque?

— Sobre Ayla.

O silêncio se instalou.

— Antes de tudo — Yuri continuou — eu nunca toquei nela. Nunca. Quando éramos namorados… tentei. Ela disse não. Sempre disse. Eu traí por fraqueza, não porque ela falhou.

Mateo manteve o olhar firme.

— E por que está me dizendo isso agora?

Yuri respirou fundo.

— Porque ouvi coisas
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