Ayla adormeceu sem perceber quando.
O corpo finalmente cedeu depois de dias em alerta. O vestido ainda sobre a pele, o colar de gota subindo e descendo com a respiração tranquila. Pela primeira vez, o quarto parecia um refúgio — não uma trincheira.
A porta se abriu sem ruído.
Otton entrou como quem já se sentia dono do espaço.
Parou a poucos passos da cama.
Observou cada detalhe com atenção perigosa: o rosto relaxado, os cabelos espalhados pelo travesseiro, a vulnerabilidade absoluta que ela jamais mostraria acordada.
— Você não faz ideia do que provoca — murmurou, baixo.
A mão dele quase subiu… quase.
— Tire essa mão dela.
A voz de Lia cortou o ar como lâmina.
Otton se virou, surpreso por um segundo — o suficiente para perceber o erro.
— Saia do quarto — Lia disse, avançando. — Agora.
— Lia, isso não é—
— É exatamente o que parece — ela interrompeu, os olhos frios. — E você sabe muito bem das regras.
Ela se aproximou mais, sem medo algum.
— Na máfia, ninguém toca em uma mulher sem c