A decisão de Otton não veio em palavras.
Veio no silêncio.
Kaio foi escoltado para a ala isolada da mansão, não como prisioneiro comum — mas como alguém que ainda carregava sangue da família. Correntes não foram usadas. Grades, sim. O respeito antigo misturado ao medo novo criava um clima quase insuportável.
— Isso não vai terminar bem — Kaio disse, enquanto era levado. — Nunca termina quando se tenta controlar o caos.
Otton não respondeu.
Mas à noite, sozinho no escritório, ele quebrou um copo contra a parede.
— Ele me expôs — murmurou. — Diante de todos.
Mateo entrou sem bater.
— Você deixou isso acontecer — disse, direto. — Ignorou sinais por orgulho.
Otton levantou o olhar, carregado.
— Vai me julgar agora?
— Não — Mateo respondeu. — Vou te alertar. Kaio não age sozinho.
Como se tivesse sido invocado pelas palavras, Yuri apareceu à porta.
— Temos confirmação — disse. — Parte da outra máfia já se moveu. Eles achavam que Kaio estaria solto.
Otton fechou os olhos por um instante.
— E