Mundo de ficçãoIniciar sessãoApós ser salva pelo grande Dominic Ackles. Molly se vê entre a cruz e a espada. Uma proposta feita pelo grande CEO e mafioso de Londres pode fazer sua vida mudar para sempre. Mas entre suas provocações e um contrato pronto para ser assinado, Molly descobre que existem muitas coisas por daqueles olhos impiedosos e sua postura implacável.
Ler maisMamãe nunca voltou.
Nunca consegui entender o que leva uma mãe a deixar a própria filha em uma casa de prazer — ou, usando o nome que realmente define aquele lugar, um bordel — e simplesmente ir embora, sem olhar para trás, sem demonstrar um único sinal de arrependimento. Lembro de todas as noites em que chorei até o sono vencer o cansaço. O travesseiro ficava encharcado de lágrimas, enquanto as vozes abafadas que atravessavam as paredes me lembravam constantemente de onde eu estava. Eu me sentia culpada. Na minha inocência, acreditava que devia ter feito alguma coisa terrível para que minha mãe me abandonasse daquela forma. Com o passar dos anos, a verdade se tornou impossível de ignorar. Ela era apenas uma mulher consumida pelo vício, alguém que, em um momento de desespero, escolheu a própria dependência em vez da filha. Entender isso doeu, mas também me libertou de um peso que carreguei por tempo demais: eu nunca tive culpa de nada. A madame Delaflor jamais permitiu que alguém me tocasse. Para ela, eu era seu bem mais valioso, algo que precisava ser protegido e mantido sob seu controle. Ela fazia questão de me colocar diante dos clientes, despertando a curiosidade e a expectativa de todos. Bastava perceber o interesse estampado em seus rostos para abrir um sorriso calculado e lançar sua proposta, sempre da mesma maneira. — Passe uma noite com uma das garotas mais caras da casa e ganhará uma noite comigo pela metade do preço. Mas essa promessa nunca era cumprida. Eu odiava tudo naquele lugar. O cheiro forte de perfume misturado ao álcool, os corredores luxuosos que escondiam tanta tristeza, os risos forçados e a sensação constante de estar presa me sufocavam todos os dias. Ainda assim, eu não tinha para onde ir. Mesmo que encontrasse uma forma de fugir, não possuía dinheiro, família ou qualquer lugar que pudesse chamar de lar. Aquelas paredes eram mais do que os limites de um bordel; eram as grades da única prisão que eu conhecia. Alguém batia à minha porta havia alguns minutos, mas eu simplesmente ignorava. Continuava passando a escova pelos cabelos, observando meu reflexo no espelho enquanto os fios deslizavam lentamente entre as cerdas. Era um dos poucos momentos do dia em que eu podia fingir que aquele quarto era apenas um quarto... e não uma cela disfarçada de luxo. Sem esperar por uma resposta, a porta se abriu. Madame Delaflor entrou com passos firmes, carregando no rosto uma expressão de evidente irritação. — Você ficou surda? Adele está batendo na sua porta há um tempão e você simplesmente resolveu ignorá-la? — perguntou, cruzando os braços. Ergui os olhos para encontrá-la através do espelho. — Foram só três minutos. Eu precisava de um instante. — murmurei, sem me dar ao trabalho de me virar. Madame Delaflor soltou uma breve risada, carregada de sarcasmo. — Um instante para quê, Molly? Seu trabalho é descer, despertar o interesse dos clientes e voltar para este quarto. São as suas irmãs que passam a noite inteira trabalhando. Você tem a vida mais fácil desta casa. Meu maxilar se contraiu. — Elas não são minhas irmãs. — respondi em voz baixa, mas firme. Vi seus olhos revirarem com impaciência. — Deixe de agir como uma garota mimada. Tire esse roupão e vá fazer o que eu mandei. Sem esperar qualquer resposta, ela girou sobre os calcanhares e deixou o quarto, batendo a porta atrás de si. Um suspiro pesado escapou dos meus lábios. Levantei-me da penteadeira e deixei o roupão escorregar lentamente pelos meus ombros, revelando a roupa delicada que eu era obrigada a vestir todas as noites. Aquela não era uma escolha minha; era apenas mais um uniforme da prisão em que eu vivia. Peguei a máscara de renda que escondia parte do meu rosto, cobrindo apenas a região dos olhos. Ajustei-a diante do espelho, encarei meu próprio reflexo por um breve instante e, reunindo a pouca coragem que ainda me restava, abri a porta e saí do quarto.É tudo muito barulhento. Ou talvez aquele fosse apenas o som comum da cidade, o tipo de ruído que as pessoas escutam todos os dias e, com o tempo, deixam de perceber. Para elas, buzinas, motores, pessoas conversando nas calçadas, vendedores anunciando seus produtos e o constante movimento dos carros faziam parte da rotina. Mas, para mim, cada som parecia exageradamente alto, como se meus ouvidos estivessem reaprendendo a existir fora das paredes daquele bordel. Fazia tanto tempo que eu não saía para a rua que já não sabia mais como aquele mundo funcionava. Meu corpo permanecia rígido contra o banco de couro macio do carro, enquanto meus olhos percorriam tudo o que conseguiam alcançar através da janela. Crianças corriam pela calçada segurando balões coloridos. Um casal caminhava de mãos dadas, sorrindo um para o outro como se o restante do mundo tivesse desaparecido. Um senhor passeava tranquilamente com seu cachorro, enquanto uma mulher carregava sacolas de supermercado e conversav
— Não, senhor... eu não sei quem o senhor é. — respondi, sem desviar os olhos dos dele. Ele fez um breve movimento afirmativo com a cabeça. — Meu nome é Dominic Ackles. A forma calma como pronunciou o próprio nome contrastava com o peso que aquele sobrenome parecia carregar. — Sou o Don da máfia Ackles. Meu coração falhou uma batida. Então era por isso. Era por isso que Madame Delaflor havia empalidecido no mesmo instante em que o reconheceu. Dominic permaneceu sereno. — Entre os negócios que administro, existe um que considero uma obrigação. Eu localizo, protejo e resgato mulheres vítimas de tráfico e exploração. Franzi a testa, confusa. Ele sustentou meu olhar antes de continuar. — Molly... você nunca se perguntou por que Madame Delaflor jamais permitiu que alguém a tocasse? Ou por que sempre a tratou de maneira diferente das outras garotas? As lembranças passaram pela minha mente como um vendaval. Os privilégios. O quarto separado. A proteção exagerada. O cuidado q
Caminho até o quarto, escutando os passos firmes e calculados dele atrás de mim. Meu coração bate tão depressa que tenho medo de que ele consiga ouvi-lo. Respiro fundo algumas vezes, tentando esconder o quanto estou nervosa, mas o ar parece não chegar aos meus pulmões.Madame Delaflor jamais havia permitido que homem algum ficasse a sós comigo.Até ele aparecer.Assim que chegamos à porta, giro a maçaneta e entro. Alguns segundos depois, escuto a porta sendo fechada atrás de nós.O clique da fechadura ecoa pelo quarto.O silêncio que se instala é quase ensurdecedor. Nenhum de nós diz uma palavra. Apenas o som das nossas respirações ocupa o ambiente, tornando cada segundo ainda mais pesado.Permaneço imóvel no centro do quarto, encarando a parede à minha frente enquanto tento desesperadamente pensar em alguma maneira de impedir que ele faça o que veio fazer.Talvez eu grite.Talvez eu o empurre.Talvez eu aceite qualquer punição que Madame Delaflor decida me dar, contanto que ele não e
Sentada em uma poltrona de veludo, observava o movimento do salão. O ambiente era iluminado por lustres dourados que espalhavam uma luz quente pelo lugar, enquanto o cheiro intenso de perfumes caros se misturava ao álcool e à fumaça dos charutos. Risadas, conversas e o tilintar dos copos preenchiam o ar. Não demorou para um homem se aproximar. Ele caminhou até mim com a confiança de quem acreditava que podia ter tudo o que desejasse e se acomodou ao meu lado. — O que uma moça tão bonita faz aqui sozinha? — perguntou com um sorriso que me causou a mesma repulsa de todos os outros homens que cruzavam aquele salão. Disfarçando meu incômodo, procurei Madame Delaflor com os olhos. Ela já me observava. Sua expressão séria era um lembrete silencioso de que eu deveria representar meu papel. Quanto mais convincente eu fosse, mais dinheiro entraria em seus cofres. Respirei fundo e forcei um sorriso. — Estou esperando um cavalheiro que tenha coragem de vir conversar comigo. — menti com s
Último capítulo