É tudo muito barulhento. Ou talvez aquele fosse apenas o som comum da cidade, o tipo de ruído que as pessoas escutam todos os dias e, com o tempo, deixam de perceber. Para elas, buzinas, motores, pessoas conversando nas calçadas, vendedores anunciando seus produtos e o constante movimento dos carros faziam parte da rotina. Mas, para mim, cada som parecia exageradamente alto, como se meus ouvidos estivessem reaprendendo a existir fora das paredes daquele bordel. Fazia tanto tempo que eu não saía para a rua que já não sabia mais como aquele mundo funcionava. Meu corpo permanecia rígido contra o banco de couro macio do carro, enquanto meus olhos percorriam tudo o que conseguiam alcançar através da janela. Crianças corriam pela calçada segurando balões coloridos. Um casal caminhava de mãos dadas, sorrindo um para o outro como se o restante do mundo tivesse desaparecido. Um senhor passeava tranquilamente com seu cachorro, enquanto uma mulher carregava sacolas de supermercado e conversav
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