Saudades de você...
Diana
A rodoviária cheirava a café requentado e chuva velha. Eu sentei no banco de metal com a mochila no colo e o bilhete amassado entre os dedos, tentando convencer meu coração de que estava fazendo a coisa certa: voltar para a casa da minha mãe por um tempo, respirar ar de interior, me esconder do barulho e de tudo que doía. O painel eletrônico piscava atrasos e chegadas, e eu contava os minutos com o pé batendo no piso, como se o ritmo pudesse empurrar o relógio.
Foi quando senti. Não foi um som, nem um toque. Foi aquele arrepio nas costas que avisa antes da mente entender. Levantei os olhos devagar e vi o rapaz encostado no quiosque de revistas, fingindo ler um jornal como quem não sabe dobrar um jornal. Tênis sujo, boné baixo, jaqueta sem graça demais para a temperatura morna. Nossos olhares se cruzaram por meio segundo. Ele desviou rápido demais. O estômago apertou.
Pensei em ligar para o Ethan, mas o som da nossa última conversa ecoou: “É melhor você ficar fora do radar por un