POV JOSÉ EDUARDO
Eu estava sentado no chão do quarto da Catarina. O corpo do meu pai permanecia estirado diante de mim no corredor do lado de fora.
O sangue se espalhava, formando uma poça em volta dele.
O bilhete na minha mão era a prova de que aquilo havia sido feito por alguém que sabia exatamente o que estava fazendo. Tinham levado minha mulher grávida e assassinado meu pai.
Um homem do meu tamanho não devia chorar… mas eu chorei.
Homens também choram.
Aquelas lágrimas eram como um marco. Era como se eu estivesse deixando de ser um garoto, o “filhinho do papai”, e me tornando, de uma vez por todas, um homem.
Minha raiva era tamanha que meu desejo era sair pela casa atirando em qualquer coisa que se movesse. Eu queria correr até encontrar o maldito que tinha feito aquilo e esmagar sua cabeça, não com uma arma, mas com meu pé. Eu pisaria com tanta força que seria capaz de afundar o chão.
Me ergui do chão desnorteado, sem saber o que fazer direito.
O baque da realidade era tão gran