Capítulo 6

Régis caminhava sem rumo pelas ruas, com os passos pesados e o coração ainda mais. As fotos de Rafaela em suas mãos já estavam amassadas de tanto ele olhar, como se pudesse, de alguma forma, trazê-la de volta apenas com a força da saudade. Seus olhos estavam cansados, mas ele se recusava a desistir.

Sem perceber, acabou chegando até a rodoviária. O movimento de pessoas indo e vindo só aumentava o vazio que ele sentia. Ele se sentou em um banco, passou a mão no rosto e suspirou fundo.

Foi então que uma mulher o observou por alguns segundos, até arregalar os olhos em reconhecimento.

— Régis? É você mesmo?

Ele levantou o olhar, surpreso.

— Dona Marta?

Ela era uma antiga amiga de sua mãe, alguém que frequentava sua casa quando ele ainda era criança. Sem hesitar, ela se aproximou e sentou ao lado dele.

— Meu Deus, quanto tempo! Como você está? E sua família?

Régis tentou responder normalmente, mas sua voz falhou.

— Eles estão bem…

Dona Marta percebeu na hora que algo não estava certo. Ela o olhou com mais atenção, notando a tristeza estampada em seu rosto.

— E você? Não parece nada bem… o que aconteceu?

Régis ficou em silêncio por alguns segundos, como se estivesse lutando contra si mesmo. Mas naquele momento, ele precisava falar. Precisava desabafar.

E então contou tudo.

Sobre Rafaela. Sobre o desaparecimento. Sobre o desespero de não saber onde ela estava.

Dona Marta ouviu com atenção, sem interromper. Quando ele terminou, ela segurou a mão dele com firmeza.

— Eu sinto muito, meu filho… mas escuta… eu trabalho com registros, tenho acesso a alguns sistemas. Não é algo que eu possa simplesmente usar assim… é confidencial… mas…

Ela respirou fundo.

— Eu vou tentar te ajudar.

Os olhos de Régis se encheram de esperança pela primeira vez em dias.

— Sério?

— Sim. Não prometo nada… mas vou fazer o possível.

Ele rapidamente pegou um papel e anotou seu número, entregando a ela.

— Por favor… qualquer coisa…

— Eu te ligo — disse ela, com um olhar sincero.

Enquanto isso, bem longe dali, Rafaela tentava se adaptar à nova realidade.

Tudo parecia estranho, rápido demais, como se ela estivesse vivendo a vida de outra pessoa.

Lorrane, sempre firme e observadora, decidiu que era hora de transformá-la completamente.

— Leva ela pra comprar roupas novas — ordenou, chamando uma das meninas.

Rafaela apenas seguiu, ainda insegura.

Elas foram a várias lojas. Vestidos, saltos, peças que Rafaela nunca tinha usado antes. Quando chegaram à parte de lingerie, ela ficou claramente desconfortável.

— Eu… eu nunca usei isso…

— Vai ter que aprender — respondeu a menina, sem muita delicadeza, mas também sem maldade.

Rafaela escolhia as peças com vergonha, evitando até se olhar no espelho. Aquilo tudo não parecia com quem ela era… ou talvez com quem ela achava que era.

Depois das compras, foram ao salão.

Horas depois, Rafaela saiu de lá completamente diferente.

Cabelos arrumados, maquiagem leve, roupas que valorizavam sua beleza natural. Ela mal se reconhecia.

Quando voltaram, Lorrane a observou de cima a baixo.

Um sorriso satisfeito surgiu em seu rosto.

— Agora sim…

Rafaela abaixou o olhar, ainda insegura, mas havia algo novo ali também… uma mistura de medo e força começando a nascer dentro dela.

Dois destinos em movimento.

De um lado, Régis cada vez mais perto de uma pista.

Do outro, Rafaela sendo moldada para uma vida que ela ainda não sabia se conseguiria aceitar.

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