Capítulo 5

 

O dia começou cedo.

Mesmo depois de tudo que tinha acontecido na noite anterior, Rafaela voltou para a lanchonete. Precisava daquilo. Precisava se manter firme.

O movimento estava intenso.

Pratos indo e vindo.

Pessoas entrando e saindo.

Rafaela mal teve tempo de pensar.

E talvez… aquilo fosse bom.

Porque quando ela parava…

A saudade vinha.

À noite, já cansada, sentou-se nos fundos da lanchonete com um prato simples de sopa.

O vapor subia devagar…

E, por um instante, ela se perdeu.

Lembrou da mãe.

Dos poucos momentos bons.

Dos sonhos que tinha…

Faculdade.

Uma vida diferente.

Uma chance.

Seus olhos se encheram.

Uma lágrima caiu silenciosa.

Mas ela limpou rápido.

— Eu preciso ser forte… — sussurrou.

Depois de comer, voltou para a rodoviária.

Sentou no mesmo banco.

O mesmo frio.

A mesma incerteza.

Mas dessa vez… ela já sabia.

Não demorou muito.

O carro vermelho apareceu.

Parou.

A porta abriu.

Rafaela respirou fundo…

E entrou.

Dentro do carro, o silêncio dominava.

Até que chegaram.

A boate brilhava ainda mais à noite.

Imponente.

Quase intimidante.

Dessa vez, Rafaela não hesitou tanto.

Entrou.

Lá dentro, a mulher estava esperando.

Elegante  era uma morena do cabelo cacheado e corpo perfeito uma mulher muito bonita.

— Vejo que voltou — disse, com um leve sorriso.

— Voltei…

— Meu nome é Lorrane — ela se apresentou — e aqui… tudo tem regra.

Rafaela prestou atenção, séria.

— Você dança, ganha dinheiro, tem onde dormir e comer. Mas precisa seguir o que eu mando.

Ela se aproximou um pouco mais.

O olhar agora mais analítico.

— E me responde uma coisa… você falou a verdade ontem?

Rafaela engoliu seco.

— Sim…

— Você é mesmo… inexperiente?

Rafaela ficou um pouco sem jeito, mas assentiu.

Lorrane sorriu de canto.

— Interessante.

Deu um passo para trás.

— Uma garota bonita como você… com esse perfil… tem muito valor aqui.

Rafaela não gostou muito do jeito que ela falou aquilo… mas ficou em silêncio.

— Relaxa — disse Lorrane — ninguém vai te obrigar a nada. Aqui, você só dança.

Ela bateu palmas.

— Levem ela pro quarto.

Rafaela foi conduzida por um corredor elegante.

Portas fechadas.

Luzes baixas.

Até que chegaram a um quarto.

Quando a porta abriu…

Ela se surpreendeu.

Era bonito.

Limpo.

Organizado.

Muito diferente do que ela imaginava.

— A comida já vai chegar — disse a funcionária.

Sozinha no quarto, Rafaela sentou na cama.

Passou a mão pelo tecido macio.

Era real.

Ela não estava mais na rodoviária.

Minutos depois, a comida chegou.

Ela comeu em silêncio.

Cansada.

Confusa.

Mas, pela primeira vez em dias…

Segura.

Sem perceber, acabou adormecendo.

Na manhã seguinte…

Uma batida leve na porta.

— Pode entrar… — disse, ainda sonolenta.

Uma faxineira entrou, simpática.

— Bom dia… trouxe seu café.

Rafaela sentou na cama.

— Obrigada…

— A Lorrane pediu pra você conhecer o pessoal depois.

Rafaela assentiu.

Depois de se arrumar, saiu do quarto.

O ambiente durante o dia era diferente.

Mais calmo.

Menos intenso.

Ela foi levada até um espaço onde outras garotas estavam.

Algumas conversavam.

Outras se arrumavam.

Os olhares se voltaram para ela.

— Nova? — perguntou uma delas.

— Sou…

Algumas sorriram.

Outras apenas observaram.

— Lorrane quer falar com você — disse uma funcionária.

Rafaela respirou fundo.

E seguiu.

Ao entrar na sala…

Lorrane estava sentada, analisando alguns papéis.

Levantou o olhar lentamente.

— Dormiu bem?

— Sim…

— Ótimo.

Ela cruzou as pernas.

— Agora… vamos ver se você tem o que precisa pra ficar aqui.

O coração de Rafaela acelerou.

Ela sabia.

Aquilo era só o começo.

E que cada passo…

Ia mudar ainda mais o seu destino.

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