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Capítulo 10 Passando dos limites

O dia ainda nem tinha clareado direito quando Régis já estava de pé.

Mal dormiu.

A ansiedade não deixava.

Tomou um café rápido e saiu.

Destino: rodoviária.

Assim que chegou, começou a procurar.

Abordava pessoas.

Mostrava a foto de Rafaela no celular.

— Você já viu essa menina?

— Não…

— Não lembro…

— Aqui dorme muita gente…

As respostas eram sempre as mesmas.

Vagas.

Indiferentes.

O tempo passava…

E nada.

Depois de horas andando de um lado para o outro, já cansado e frustrado, decidiu parar.

Entrou na lanchonete em frente à rodoviária.

Sentou.

— Um refrigerante… e um sanduíche, por favor — disse, sem ânimo.

Enquanto esperava, ficou olhando a foto de Rafaela no celular.

Os olhos marejados.

Foi quando o dono da lanchonete percebeu.

— Essa menina… — disse, se aproximando.

Régis levantou o olhar rapidamente.

— O senhor conhece ela?

— Ela ficou aqui… — respondeu — dormindo nos bancos da rodoviária.

O coração de Régis apertou.

— Ela tentou arrumar emprego… mas ninguém dava oportunidade.

Régis sentiu um nó na garganta.

— Então eu deixei ela me ajudar aqui… em troca de comida.

Aquilo foi demais.

As lágrimas vieram.

— Ela passou por tudo isso… — disse, com a voz quebrada.

Ele imaginava.

Ela sozinha.

Com fome.

Dormindo ali.

E ele… longe.

— Ei… não chora não — disse o homem — ela é forte.

Régis passou a mão no rosto, tentando se recompor.

— Mas eu não sei onde ela está agora…

O homem pensou por um instante.

— Faz o seguinte… me deixa seu número.

— Pra quê?

— Se eu tiver qualquer notícia… eu te ligo.

Régis assentiu.

Era pouco…

Mas era alguma coisa.

De volta ao apartamento, contou tudo ao tio.

Cada detalhe.

Cada dor.

Mais tarde, os dois saíram de carro.

Andaram por várias ruas.

Bairros.

Tentando encontrar qualquer pista.

Mas o Rio era grande demais.

E Rafaela…

Parecia ter desaparecido.

Ao final do dia, pararam novamente na rodoviária.

O tio desligou o carro.

Olhou sério para Régis.

— Agora chega.

Régis virou, confuso.

— Você vai comprar uma passagem e voltar pra casa.

— Não, tio… eu não posso—

— Pode sim — interrompeu — você tem sua vida. Seus estudos.

Silêncio.

— Você já fez o que podia.

Régis abaixou o olhar.

— Deixou seu número com o homem… se ele souber de algo, vai te avisar.

Pausa.

— E sua mãe já tá brigando comigo por causa disso.

Régis suspirou.

Derrotado.

— Vai… compra a passagem.

Com o coração pesado, ele desceu do carro.

Entrou na rodoviária.

Cada passo… difícil.

Comprou a passagem.

Sem vontade.

Sem esperança.

Aquela noite foi diferente.

A boate estava ainda mais cheia.

Pedidos não paravam de chegar.

— Quero ver a nova garota de novo!

— Quanto for preciso!

Lorrane observava tudo com atenção.

Sabia exatamente o que estava fazendo.

No quarto, Rafaela recebeu o recado.

— Se arruma… hoje você sobe de novo.

O coração dela acelerou.

Mas dessa vez…

Havia algo diferente.

Ela abriu a sacola.

E pegou o espartilho vermelho.

A peça marcava seu corpo com intensidade.

Quando se olhou no espelho…

Viu uma nova versão de si mesma.

Mais segura.

Mais forte.

Mas ainda com medo.

— Vai dar certo… — sussurrou.

No palco…

As luzes se acenderam.

E o silêncio veio.

Rafaela respirou fundo.

E começou.

A apresentação foi envolvente.

Mais ousada.

Mais segura.

Os movimentos eram fluidos, controlados…

Hipnotizantes.

Ela brincava com o ritmo.

Com o olhar.

Com a distância.

Sem se expor completamente…

Mas deixando todos presos nela.

Os homens enlouqueceram.

Notas começaram a voar.

Propostas.

Chamadas.

Valores absurdos sendo oferecidos.

Mas Lorrane já respondia antes mesmo de perguntarem:

— Ela não faz programa.

Alguns se irritavam.

Mas continuavam pagando.

No fim…

Rafaela saiu do palco ofegante.

O coração acelerado.

Mas com um sorriso leve.

Ela tinha conseguido.

No escritório…

Lorrane abriu o envelope.

— Hoje você se superou.

Entregou o dinheiro.

Rafaela abriu.

— Quinze mil?!

Os olhos brilharam.

Era muito mais do que ela já tinha imaginado ganhar.

— Você tá começando a entender seu valor — disse Lorrane.

Rafaela sorriu, emocionada.

— Obrigada…

Com o envelope em mãos, saiu do escritório.

Mas ao abrir a porta…

Parou.

Carlos.

Parado ali.

Olhando diretamente para ela.

O ar ficou pesado.

Lorrane percebeu.

— Vai pro quarto, Rafaela — disse firme — deixa ele entrar.

Rafaela assentiu e se afastou.

Mas não foi longe.

Algo dentro dela…

Mandou ficar.

Do lado de fora, ela escutava.

— Ela tá disponível hoje? — perguntou Carlos.

— Já falei que não — respondeu Lorrane.

Silêncio.

Então…

BAM!

O som da mão dele batendo na mesa fez Rafaela se assustar.

— Você tá esquecendo que me deve favores?

A tensão aumentou.

Segundos depois…

A porta se abriu com força.

Carlos saiu irritado.

E deu de cara com Rafaela ali.

Parada.

O olhar dele mudou na hora.

Mais intenso.

Mais perigoso.

Antes que ela reagisse…

Ele segurou o braço dela firme e a colocou contra a parede e começou a beijar se pescoço e passar a mão pela sua cintura,Rafaela tentou grita mais a mão dele estava prendendo sua boca,então ele a soltou.

— Você ainda vai ser minha.

E foi embora.

Rafaela ficou parada por alguns segundos, sentindo o coração bater acelerado.

Sem perder tempo, foi direto para o escritório.

— Lorrane… você tá bem? — perguntou, preocupada.

Lorrane levantou o olhar, séria, mas controlada.

— Tô… — respondeu — eu já imaginava que algum problema podia acontecer… mas não com ele.

Rafaela se aproximou.

— Ele falou que você devia favores… isso quer dizer que ele pode me obrigar?

Lorrane foi firme:

— Não. Aqui, você não é obrigada a nada.

— Amanhã eu resolvo isso — disse — agora vai pro quarto.

Naquela noite…

Rafaela não conseguiu dormir.

Virava de um lado pro outro, inquieta.

"Você ainda vai ser minha…"

A frase não saía da cabeça.

Ela abraçou o travesseiro.

No dia seguinte, Rafaela acordou cedo.

Foi ao banco.

Depositou o dinheiro da apresentação.

Ao voltar para a boate, procurou por Lorrane.

— Ela não tá — disse Renata.

— Foi onde? — perguntou Rafaela.

— Subiu o morro.

Rafaela estranhou.

— Fazer o quê?

Renata respondeu naturalmente.

Enquanto isso…

No alto do morro…

Carlos já estava no escritório.

— Você não acha que eu tenho coisa mais importante pra resolver? — disse Tiago, impaciente — não vou perder tempo com seus caprichos com mulher.

Carlos apertou o maxilar.

— Ela não é qualquer uma.

Antes que continuasse…

O telefone tocou.

Tiago atendeu.

— Fala.

Uma pausa.

— Manda subir.

Carlos entendeu na hora… e saiu do escritório.

Mas não sem antes parar do lado de fora.

Esperando.

Minutos depois, Lorrane chegou.

Elegante, firme.

Carlos a encarou.

Ela sustentou o olhar… sem medo.

Dentro da sala…

Tiago se levantou ao vê-la.

Pegou sua mão e beijou, com respeito.

— Lorrane… o que te traz aqui?

Ela sentou, direta.

— Problema no meu negócio.

— Fala.

— Um dos seus homens tá causando confusão lá — disse — quer uma das minhas dançarinas, e eu já deixei claro que ela não faz programa.

Tiago inclinou a cabeça.

— Mas ali não é uma casa onde os homens procuram isso?

Lorrane manteve a postura.

— Algumas fazem… outras não.

Pausa.

— Essa não faz.

— E por quê?

— Porque ela não quer.

Silêncio.

Então Lorrane completou:

— Ela é virgem.

Tiago se recostou na cadeira, pensativo.

O ambiente ficou mais sério.

— Então prova.

Lorrane franziu levemente a testa.

— Um exame — continuou ele — se ela realmente for…

Ele a encarou com firmeza.

— Eu proíbo qualquer homem meu de encostar nela.

Lorrane sentiu um alívio discreto.

— Eu sabia que você resolveria.

Ela se levantou.

— Seu pai e seu avô eram assim… justos.

Tiago deu um leve sorriso.

— Eu aprendi com eles.

— Amanhã eu te dou a resposta.

— Estarei esperando.

Lorrane saiu do escritório.

Ao passar por Carlos…

Ele a encarou novamente.

Dessa vez, em silêncio.

Mas o olhar dizia tudo.

Ele não ia desistir.

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