Capítulo 9

Na manhã seguinte, o clima na casa de Régis estava pesado.

Ele tomava café em silêncio, mexendo distraidamente na xícara, enquanto sua mãe observava.

— Você ainda tá pensando naquela menina, né? — disse ela, seca.

Antes que ele respondesse, a empregada apareceu na sala.

— Dona Marta, tem uma visita…

— Quem é? — perguntou, surpresa.

— Núbia.

A mãe de Régis abriu um sorriso.

— Núbia! Manda entrar!

Núbia entrou apressada.

Elegante, mas com pressa.

— Quanto tempo! — disse Dona Marta, abraçando — por que não avisou? Eu preparava algo melhor!

— Não posso ficar, tô indo trabalhar — respondeu — só passei pra falar com o Régis.

— Tô aqui — disse ele, levantando — e aí? Conseguiu?

Núbia assentiu.

— Consegui verificar a data que você me deu… ela pegou um ônibus pro Rio de Janeiro.

O coração dele acelerou.

— Tem certeza?

— Sim… e depois disso, não tem mais registro com o nome dela. Provavelmente ficou por lá… talvez com algum conhecido.

Régis negou com a cabeça.

— Ela não tem ninguém lá…

— Então tá por conta própria — respondeu Núbia.

Ele respirou fundo.

— Obrigado, de verdade.

Núbia se despediu rapidamente e saiu.

Assim que a porta fechou…

— Eu não acredito nisso — disse Dona Marta, irritada — você foi atrás dessa garota?

— Mãe…

— Se ela gostasse de você, tinha te procurado!

Régis ficou firme.

— Ela gosta… só tava passando por problemas.

— Problema seu — respondeu fria — se quiser ir atrás dela, vai sozinho.

Silêncio.

Mas naquele momento…

Ele decidiu.

No colégio, ele mal prestou atenção.

A cabeça só pensava em uma coisa:

Rafaela.

Na saída, pegou o celular.

— Tio? Sou eu… posso passar uns dias aí no Rio?

Na mesma noite…

Mala pronta.

Passagem comprada.

E uma decisão tomada.

Ele ia encontrá-la.

Enquanto isso…

Na boate…

Priscila entrou no quarto apressada.

— Rafa! Se arruma!

— O que foi? — perguntou, assustada.

— Hoje é o dia.

Rafaela congelou.

— Minha estreia?

— Sua estreia.

O coração disparou.

Diante do espelho, Rafaela respirava fundo.

Escolheu uma lingerie delicada… acompanhada de uma máscara que cobria parte do rosto.

Colocou um robe por cima.

As mãos tremiam.

— Vai dar certo… — sussurrou.

A casa estava lotada.

Homens bem vestidos.

Ricos.

Influentes.

O tipo de público que Lorrane queria.

Quando anunciaram…

Rafaela subiu.

As luzes se acenderam.

O silêncio veio por um segundo.

E então…

Ela fechou os olhos.

Respirou.

E começou.

No início… nervosa.

Mas aos poucos…

O corpo respondeu.

Os movimentos fluíram.

Elegantes.

Envolventes.

Hipnotizantes.

Era como se não houvesse ninguém ali.

Só ela.

E a música.

Quando abriu os olhos…

Os olhares estavam presos nela.

Homens fascinados.

Alguns se levantando.

Outros jogando dinheiro.

— Quanto pra ir pro quarto?! — gritou um deles.

— Ela não faz programa! — respondeu Lorrane, firme.

Alguns reclamaram.

Outros riram.

Mas o dinheiro…

Continuava caindo.

Nos bastidores, algumas garotas observavam… incomodadas.

Inveja.

Rafaela tinha roubado a cena.

Após a apresentação, ainda ofegante, Rafaela foi até o escritório.

Lorrane estava sorrindo.

— Eu sabia.

Abriu uma gaveta e entregou um envelope.

— Isso é seu.

Rafaela abriu.

Seus olhos se arregalaram.

— Seis mil e quinhentos?!

— Você ganhou mais — disse Lorrane — mas eu já tirei minha parte.

Rafaela ainda estava em choque.

— Abre uma conta… começa a guardar.

Ela apenas assentiu.

Ainda sem acreditar.

Ao sair do escritório…

Rafaela caminhava pelo corredor.

Até que viu.

Uma mesa.

Homens de preto.

Armas visíveis.

O clima… pesado.

Ela desviou o olhar rapidamente.

Mas já era tarde.

Eles perceberam.

Quando estava quase chegando ao quarto…

Alguém segurou seu braço.

Forte.

Ela se virou, assustada.

— Quem é você?!

O homem sorriu de lado.

— E você… quem é… que recusou minha proposta?

Rafaela puxou o braço.

— Eu não faço programa.

Ele se aproximou um pouco.

— Corajosa…

Seus olhos percorreram ela.

— Mas eu não costumo aceitar um não… sem pelo menos um beijo.

Rafaela deu um passo para trás.

O medo começou a surgir.

— Carlos… tá perdido?

A voz de Lorrane cortou o momento.

Ele virou, irritado.

— Eu pago o dobro.

— Ela não faz programa — respondeu Lorrane — posso te arrumar outras.

Ele respirou fundo, irritado… e saiu.

Lorrane olhou séria para Rafaela.

— Você … direto pro quarto depois dos shows. Sem andar por aí.

Rafaela assentiu.

Na manhã seguinte…

Priscila já estava lá.

— E aí?! — perguntou animada.

Rafaela abriu um sorriso.

— Eu ganhei seis mil e quinhentos!

— Eu soube! Você arrasou!

Rafaela então contou sobre o homem.

Priscila ficou mais séria.

— Aqueles ali… são mafiosos.

Rafaela gelou.

— Eles quase não aparecem… mas quando aparecem… é melhor nem olhar.

Mais tarde, saíram juntas.

Abriram uma conta para Rafaela.

Ela depositou o dinheiro.

Sentindo… que estava começando uma nova vida.

Depois passaram em uma loja.

Rafaela se encantou por um espartilho vermelho.

Comprou.

— Nossa… — disse Priscila — aquele tal de Carlos vai enlouquecer.

Rafaela ficou tensa.

— Para com isso…

— Relaxa… eles quase não aparecem.

Na boate…

Renata conversava com Lorrane.

— Aquele Carlos… perguntou da Rafaela.

Lorrane ficou em silêncio.

Pensativa.

Sabia muito bem…

Homens como ele…

Não desistiam fácil.

E sem saber…

Rafaela já tinha chamado atenção de alguém…

Que nunca aceitava perder.

Mas Lorrane não se prendeu em preocupação até porque Carlos só era um manda chuva.

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