Fabrizia Giordano
Ele se foi, mas a marca de sua presença ficou, como o cheiro da terra após a chuva. Fiquei sentada sob a oliveira por um tempo, tocando meu próprio braço, onde a pele ainda parecia vibrar com o eco de sua voz.
Fabrizia.
Ele dissera meu nome como se o estivesse provando, como um homem com sede que aprecia o primeiro gole de água. Era íntimo. Era assustador e tudo menos indiferente.
A confusão dentro de mim era um redemoinho. Como podia a mesma pessoa cujo olhar me congelava o sangue ter um sorriso, mesmo que breve, que fazia meu estômago dar um giro estranho?
Como podia a mão que sem dúvida havia cometido violência apontar gentilmente na direção do alecrim mais fresco do jardim?
O calor era o primeiro abraço. O cheiro de café forte, de pão torrado e do molho de tomate que já borbulhava lentamente no fogão. Signora Ginevra me recebeu com um aceno de cabeça.
— Hoje vamos fazer gnocchi… — ela anunciou, indicando a montanha de batatas já cozidas e amassadas sobre a bancad