Fabrizia Giordano
A ordem era clara. Com um nó de ansiedade e uma pitada inexplicável de excitação no estômago, obedeci. Lavei as mãos apressadamente, meu reflexo no espelho acima da pia me mostrou uma garota pálida, de olhos arregalados.
O que estava acontecendo?
O carro era silencioso, um luxo que ainda me assustava. Damiano dirigia com uma concentração absoluta, sua presença preenchendo o espaço compacto. O cheiro dele, limpo e levemente amadeirado, invadia meus sentidos.
— Senhor Sorrentino não se importa com… com isso? — ousei perguntar, quebrando o silêncio opressivo. — Com gastos comigo?
Ele lançou um breve olhar para mim.
— São necessidades básicas. Ele providencia para todos sob sua proteção.
A resposta deveria ter me tranquilizado. Mas soou… mecânica e fria.
A loja era um lugar de luz suave e ar condicionado silencioso. Era o tipo de lugar onde, em outra vida, eu teria entrado com minha mãe, rindo e sonhando. Agora, eu me sentia uma intrusa, uma mancha de sujeira em meio àqu