Fabrizia Giordano
O som dos pneus no cascalho da entrada de Pietraluna pareceu ecoar as batidas aceleradas do meu coração. A clínica não era o que eu imaginara. Não se parecia com um hospital, mas com uma vila toscana, ampla e tranquila, cercada por ciprestes e oliveiras, com jardins que se perdiam de vista. Era um lugar de paz, mas para mim, naquele momento, era a antecâmara do julgamento.
O dia anterior havia sido de Ciara. Eu passei horas com Salvatore, seu riso inocente e suas mãozinhas quentes puxando-me para um lugar de pureza que eu achava ter perdido para sempre. Cuidar dele era um bálsamo. Mas quando Ciara voltou de sua primeira sessão, seus olhos estavam vermelhos e inchados, seu corpo um fio de energia esgotada. Ela não chorava mais; pareceu ter esgotado todas as lágrimas. Apenas se encolheu em meu abraço, um peso frágil e quebrado, e sussurrou.
“É tão difícil, Fabri. Mas é preciso.”
Agora era a minha vez.
A sala da Dr.ᵃ Almeida era aconchegante, com poltronas macias, estan