Paula Moretti
Cada movimento é uma batalha. Empurro-me do chão frio do avião, meus músculos protestando em uníssono, uma sinfonia de dor que vai do tornozelo latejante ao rosto inchado e às costelas que parecem uma única massa de agonia. Consigo, com um esforço que me deixa tonta, me arrasto para uma das poltronas de couro. É um refúgio precário, mas é melhor que a frieza do piso.
É então que percebo o olhar de Dante. Não é mais o olhar de um raptor impessoal ou de um sádico em busca de diversã